Em 2025, a caderneta de poupança vive uma fase de êxodo sem precedentes. A cada mês, investidores buscam refúgio em produtos que ofereçam proteção contra a inflação e rendimentos superiores, abandonando um mecanismo que já foi sinônimo de segurança.
Este artigo reúne dados, explicações e comparações para mostrar por que a poupança continua relevante mas se tornou um dos piores investimentos e apresenta opções mais atraentes para aplicar recursos.
1. Contexto macroeconômico: por que a poupança está perdendo espaço
De janeiro a novembro de 2025, a poupança registrou saída líquida recorde de R$ 91 bilhões, com R$ 3,93 trilhões em saques contra R$ 3,839 trilhões em depósitos. Apenas em outubro, foram retirados R$ 9,7 bilhões.
No segmento de funding imobiliário, o saldo caiu R$ 67,46 bilhões no acumulado do ano. Esses números revelam que o brasileiro já não vê na caderneta o melhor lugar para guardar recursos.
O cenário de juros altos (Selic a 15% ao ano) e o custo elevado do crédito resultam em orçamento doméstico apertado e empurram famílias para alternativas indexadas ao CDI e outros índices.
2. Como funciona o rendimento da poupança
A remuneração da poupança é creditada na “data de aniversário” da conta. Desde maio de 2012, a regra passou a ser:
- Se Selic ≤ 8,5% a.a.: rende 70% da Selic + TR.
- Se Selic > 8,5% a.a.: rende 0,5% ao mês + TR.
A Taxa Referencial (TR) está próxima de zero, o que faz com que, na prática, a poupança antiga ou nova dependa quase exclusivamente do percentual da Selic ou da taxa fixa mensal.
Em termos de rendimento real (descontada a inflação), a caderneta tem apresentado perda de poder de compra sistemática. Isso significa que, embora o saldo nominal cresça, o valor efetivo cai frente ao aumento de preços.
3. Impacto da fuga de recursos no crédito imobiliário
A poupança é o funding central do crédito imobiliário no Brasil. Com o volume de depósitos em queda, o modelo de financiamento baseado em caderneta está em xeque.
O Banco Central reconhece o “consenso no mercado” de que é preciso buscar fontes alternativas de funding, como letras imobiliárias, securitização e o mercado de capitais.
Essas alternativas tendem a ser mais voláteis e podem exigir contratos com novas garantias e prazos diferenciados, mas oferecem ao sistema financeiro maior flexibilidade de captação.
4. Poupança e o problema estrutural de poupar no Brasil
O Brasil enfrenta um dilema: baixa taxa de poupança nacional que limita investimentos públicos e privados. Isso decorre de:
- Descontrole fiscal crônico e aumento de impostos em vez de cortes de gastos.
- Cultura de consumo acelerado e traumas de hiperinflação.
- Alta carga tributária e renda limitada que consome quase toda a renda disponível.
Sem recursos suficientes internamente, o país recorre a dívida externa e pública, mantendo um ciclo de endividamento. A dívida avançou de 71,7% para 78,1% do PIB no governo atual.
Enquanto isso, a caderneta, longe de estimular a formação de patrimônio, oferece rendimento real negativo em muitos cenários, desencorajando práticas consistentes de poupança.
5. Comparação de rentabilidade: poupança x alternativas em 2025
Em 2025, a poupança rendeu, em média, menos que a inflação e abaixo de investimentos simples de renda fixa. Veja abaixo um comparativo aproximado:
Além destes, debêntures incentivadas, CRIs e fundos de crédito oferecem soluções para quem busca retornos líquidos superiores e tolera alguma volatilidade.
- Tesouro IPCA+: protege contra inflação, ideal para meta de longo prazo.
- CDBs com liquidez diária: equilíbrio entre reserva de emergência e melhor taxa.
- LCIs e LCAs: isenção de IR e rendimento atrativo para prazo médio.
Conclusão: migrando para o futuro financeiro
A caderneta de poupança permanece como produto de massa e instrumento de funding imobiliário, mas já não é a melhor escolha para quem busca rentabilidade real.
Com a Selic elevada, alternativas como Tesouro Direto, CDB, LCI/LCA e produtos estruturados superam a poupança em flexibilidade e retorno líquido. Entender as regras, prazos, tributação e riscos de cada aplicação é fundamental para construir uma carteira alinhada a objetivos de curto, médio e longo prazo.
O "fim da poupança" como referência de investimento padrão é apenas o início de um movimento de educação financeira mais sofisticada, que estimula o hábito de poupar e investir de forma estratégica, elevando o potencial de geração de riqueza e fortalecendo o futuro econômico de cada indivíduo e do país.